quinta-feira, 20 de novembro de 2014


"...Se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele"

Clarice Lispector. In: Paixão Segundo G.H

quarta-feira, 19 de novembro de 2014


JULIETA: - Oh, Romeu, Romeu! Por que tu és, Romeu? Nega teu pai, rejeita teu nome por mim. Ou então jura teu amor por mim que não serei mais uma Capuleto.

ROMEU: - Continuarei a ouvi-la ou falo com ela agora?

JULIETA: - Somente teu nome é meu inimigo. Como desejo que tivesses outro nome. Renega teu nome odiado que não faz parte de ti, e me terás inteira.
           
ROMEU: - Então me chama somente de amor e serei de novo batizado.

JULIETA: - Conheço o som desta voz! Não és Romeu? Não és um Montechio?

ROMEU: - Nem um, nem outro, se os dois te desagradam.

JULIETA: - És louco! Como chegaste aqui? Corres perigo. Se algum de meus parentes lhe encontrar aqui, seria a morte.

ROMEU: - Ah, mais perigos há em teus olhos que em vinte espadas.

JULIETA: - Por coisa alguma desejo que te vejam aqui Romeu.

ROMEU: - Basta me olhar com tua doçura que estarei protegido de tanto ódio.

JULIETA: - És louco.

ROMEU: - Prefiro que minha vida seja encurtada por um Capuleto que longa, longe do teu amor.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014



"Fala pra ele
Que a vida é um balão
Pra cuidar do seu coração
E chora
- Pra onde elas vão?
- Embora..."


Cícero. Pelo Interfone. 

segunda-feira, 10 de março de 2014


"Deixai - ó vós que tendes dedos constantes a deslizar em vossos cabelos - que eles façam domingo em vossas cabeças. Explorai vossas perseverantes companhias; formulai diálogos sem maldade e sem sabedoria; olhai o mar sem sujeiras, a vida sem lama; riscai o ódio e implantai o amor em vossos corações; desejai um mundo limpo, sem guerras. Usai vossos chinelos à vontade. Porque hoje é domingo, pé de cachimbo, e se tiverdes uma roseira regai-a agora, dando-lhe lembranças minhas. Feliz Domingo!". 

Eneida De Moraes. Pé-de-Cachimbo. In: Aruanda. 

sábado, 5 de outubro de 2013


Os delicados preferem morrer – escreveu C. D. A. Mas os delicados aos quais se refere o poeta não são aqueles que apanham a luva que caiu, no tempo em que se usava luva. Ou que cedem a poltrona na sala repleta ou que seguram a porta do elevador enquanto as senhoras estão saindo, não se trata dos delicados dos manuais de boas maneiras mas de um tipo de delicadeza que revela a falta de vocação para a vida. Os delicados podem ter vocação para o piano. Para o teatro. Para a poesia. Para o magistério. Vocação para a máquina, H. O. era um excelente relojoeiro. S. V. era outro delicado, um físico raro que estudava a estrutura da bolha de sabão. Mas nenhum deles com vocação para viver. Com toda a sua vitalidade, o moço do trapézio voador que só voava sem rede também era um delicado, minha mãe tapou meus olhos mas pela fresta negra dos dedos – ela usava luva – vi o corpo de giz branco ir se fazendo vermelho na lona do picadeiro, ele queria isso, disse o gerente do circo. Ele esperava por isso. Minha colega de Academia não contava as pílulas dos tubos que ia engolindo, um primo míope tirava os óculos para não ver o sangue enquanto ia cortando os pulsos com gilete azul – todos os delicadíssimos saindo sem ruído pela porta da morte que é a mais fácil. Sem olhar para trás.
(Lygia Fagundes Telles, in A Disciplina do Amor)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013



"Olhos fechados o dia claro, uma preguiça enorme alastrada pelo corpo todo impedindo-me de levantar, de trabalhar. Uma bruta vontade de não ser ninguém. Certos dias que costumo chamar 'por que não nasci eu um simples vagalume?'"

Eneida de Moraes. Clócló entre oceanos, mares e rios. In: Aruanda.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

"Sim, sim, foi isso, não fugir de mim, não fugir da minha letra, como é leve e horrível, teia de aranha, não fugir de meus defeitos, meus defeitos, eu vos adoro, minhas qualidades são tão pequenas, iguais às dos outros homens, meus defeitos, meu lado negativo é belo e côncavo como um abismo". (p.135)

Clarice Lispector. In: Perto do Coração Selvagem. 
"Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cuja malha se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva. Vida? Bem, seja lá o que for isto que temos..."

Caio F. Abreu. Luxo e Purpurina. In: Caio 3D.
"Não sabia que o mundo era assim duro, sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue".

Caio F. Abreu. Luxo e Purpurina. In: Caio 3D.