"Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar"
O Rapa. Me Deixa.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
"Só agora reparei na falta que a família faz aos domingos
(...)
Por que se agitam tanto os chinelos aos domingos? Dia para subúrbio e províncias, dia feliz para os que ainda moram em casas e possuem quintaizinhos. Domingo, que grande dia para se criar galinhas e olhar como estão crescendo as plantas; que vontade de possuir um roseira para regar e com ela namorar.
Faz falta uma família aos domingos. Devo ter tido dedos muito leves entre meus cabelos, em outros domingos, porque nesses dias minha cabeça deseja sempre idênticos afagos. Envelhecem tristes e sem domingos, os meus cabelos".
Eneida de Moraes. Pé de Cachimbo. In: Aruanda.
"[...]
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
[...]"
Fernando Pessoa. Tabacaria. In: Quando fui outros.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
[...]"
Fernando Pessoa. Tabacaria. In: Quando fui outros.
"[...]
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
[...]"
Fernando Pessoa. Tabacaria. In: Quando fui outros.
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
[...]"
Fernando Pessoa. Tabacaria. In: Quando fui outros.
"[...]
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
[...]"
Fernando Pessoa. Tabacaria. In: Quando fui outros.
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
[...]"
Fernando Pessoa. Tabacaria. In: Quando fui outros.
sábado, 27 de julho de 2013
"Olho as minhas mãos que batem infatigavelmente os teclados da máquina de escrever. Penso em meus olhos que estão cada vez mais desbotados - eles que foram muito verdes - e imagino como tem sido grande minha luta, tão persistente em dificuldades é a minha vida. Mas foi este o caminho que escolhi, e por isso sinto uma bruta vontade de rir, de achar graça, já que devo esperar mais tempo, confiar sempre no futuro". (p. 176-177)
Eneida de Moraes. Argumentos para um filme. In: Aruanda.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
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